Saiba como a irrigação pode amenizar os danos causados pela geada

Meteorologia      quarta-feira, 3 de julho de 2019

Compartilhe esta página com seus amigos

Entre os produtores, o clima é de preocupação com os recentes alertas de geada anunciados para os primeiros dias de julho.

Sua ocorrência pode causar graves danos à agricultura, trazendo além de prejuízos econômicos, a quebra da produção alimentar.

Normalmente, os produtores já conhecem as épocas e regiões onde as geadas acontecem, no entanto, o estabelecimento de probabilidades de sua ocorrência de forma mais precisa, podem ajudar no planejamento e na redução de riscos agrícolas.

COMO OCORRE A GEADA?
A geada se forma através do congelamento direto do vapor d’água existente na atmosfera, sem passagem pela forma líquida, e ocorre quando a temperatura do ambiente cai a níveis abaixo de 0ºC, que é o ponto de congelamento da água. Nessas condições, o orvalho se transforma em geada.

Normalmente, a geada está ligada à passagem de frentes frias e costuma ocorrer nas madrugadas de noites calmas e estreladas, sendo mais intensa nos fundos de vales e regiões montanhosas.

Os terrenos mais baixos do relevo tendem a ser mais afetados porque o frio se acumula nas áreas mais baixas. Exemplificando de forma simples, podemos comparar às antigas geladeiras, onde os congeladores ficavam na parte de cima e o ar frio descia naturalmente enquanto o ar quente subia, criando uma troca natural de temperaturas.

PREJUÍZOS CAUSADOS PELA GEADA NA AGRICULTURA
Na agronomia, entendemos a geada como o fenômeno atmosférico que provoca a morte das plantas ou de parte delas, como as folhas, o caule, os frutos ou ramos, devido à baixa temperatura que causa o congelamento dos tecidos vegetais.

O nível dos danos causados pela geada, dependem, principalmente, de fatores como: intensidade do fenômeno, espécies cultivadas, fase de desenvolvimento da cultura, umidade do solo e condições do terreno.

Consideramos que, abaixo de -0ºC, iniciam-se os danos em culturas de espécies menos resistentes, como feijão, banana, tomate e batata, por exemplo.

De acordo com a defesa civil, os maiores prejuízos normalmente ocorrem com as lavouras de café, cana de açúcar, frutas cítricas e de clima temperado e produtos hortigranjeiros.

COMO A IRRIGAÇÃO PODE AMENIZAR OS DANOS CAUSADOS PELA GEADA?
É possível amenizar os danos causados pela geada através de estratégias de irrigação. No entanto, é uma ação mais eficiente em áreas com irrigação por aspersão que conseguem ser irrigadas uniformemente, já que a aplicação da água, para ter efeito, deve ocorrer em um momento específico e em grandes áreas é praticamente impossível conseguir realizar essa aplicação na totalidade da plantação ao mesmo tempo.

A água funciona como uma camada protetora da lavoura. Se no momento exato da ocorrência da geada, as plantas estiverem molhadas, a energia que seria gasta para congelar a folha, é gasta congelando a água que está sobre ela, garantindo sua proteção.

O grande desafio está em conseguir essa condição na maior parte possível da plantação.
Para irrigações com pivô central, a recomendação é que por volta das 3h da madrugada, os pivôs sejam ligados em velocidade máxima, a 100% de sua capacidade e direcionados para a parte mais baixa do terreno. Assim, no momento de temperatura mais baixa, que é minutos antes do sol nascer, o pivô estaria molhando as áreas com maior probabilidade de serem atingidas. As plantas irrigadas momentos antes também seriam parcialmente protegidas numa proporção relacionada à camada de água que ainda estiver sobre elas.

É importante ressaltar que, esse procedimento só é recomendado se for pra manter a lavoura molhada no momento da geada. Irrigar durante o dia que antecede o fenômeno pode potencializar ainda mais os danos, pois a umidade do solo vai deixar a temperatura ainda mais fria, dissipar o calor mais rapidamente e deixar as plantas mais suscetíveis aos estragos.

Por isso, é de extrema importância que os agricultores acompanhem as previsões de probabilidade de incidência da geada em suas regiões e possam assim, mesmo que em pequena escala, minimizar o impacto do fenômeno em suas plantações.

A iCrop, por meio de sua equipe de Agrometeorologia, intensificou o monitoramento do clima e tem enviado alertas em áudio, de forma dinâmica via whatsapp para os clientes de cada região afetada.

Veja também: 1ª edição do iCrop Immersion reúne todo o time para capacitação técnica


Cadastre-se e fique por dentro das novidades.