Novos rumos no agronegócio: o que muda de agora em diante?

Felipe Ferreira      quinta-feira, 9 de abril de 2020

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O agronegócio está ligado a vários setores da economia, desde a produção de matérias-primas à produção de produtos processados e de equipamentos tecnológicos. Isso significa que alterações na cadeia agroindustrial interferem em outras áreas comerciais. Para apoiar os produtores nesse momento, a iCrop realizou uma live no dia 7 de abril com especialistas do setor e reuniu informações de referências no assunto para sintetizar questões importantes sobre os efeitos do coronavírus Covid-19 no Agro e como os produtores precisam agir para saírem fortalecidos após a crise.   

Em entrevista ao Globo Rural (“Entenda os efeitos do coronavírus para o agronegócio”, matéria de 15 de março), Dilvo Grolli, presidente da Cooperativa Agroindustrial de Cascavel - PR (Coopavel), sublinha que o Brasil exporta 40% do que produz para a Ásia. O impacto que a pandemia da Covid-19 desencadeou no mercado internacional já reduziu os volumes vendidos para o continente. 

O coronavírus, segundo Grolli, criou expectativa de crescimento menor no mundo e, consequentemente, quebrou a confiança dos consumidores de maneira geral. Somado a esse quadro existe o receio pelo desemprego e pela perspectiva menor de vendas, relacionada, sobretudo, às exportações de carne e de grãos. Se, por um lado, produtos de exportação ficaram mais competitivos; por outro, insumos importados como rações, fertilizantes, defensivos e sementes aumentaram entre 10% e 15% com o dólar superior a R$ 5.

 

Há sinais positivos em meio às dificuldades

Marcos Fava Neves, professor de Planejamento Estratégico e Agronegócios da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto – USP e da Escola de Administração de Empresas de São Paulo – FGV, destaca alguns pontos de interferência da Covid-19 no agronegócio em vídeo lançado no seu canal “Doutor Agro” (publicação de 16 de março). 

Neves esclarece que as variáveis macroambientais do Agro: político-legais, econômicas, socioculturais e tecnológicas foram chacoalhadas a partir desse quadro sem precedentes. A Covid-19 aparece como uma alteração do ambiente natural, que provoca alterações nos ambientes político-legais (regras), econômicos (PIB) e socioculturais (comportamentos).

No ambiente político-legal, explica Neves, temos restrições à liberdade e à movimentação; interrupção das cadeias de produção e de distribuição; alteração de canais (com migração massiva para o delivery); aumento dos gastos dos governos com a saúde; e acirramento dos embates políticos no Brasil. Em contrapartida, planos de incentivo às economias que visam à sustentação dos comércios e à manutenção dos serviços.

No ambiente econômico temos crescimento menor dos PIBs mundial e brasileiro; desvalorização do real, negativa para a importação; crise de confiança e fuga de capitais, como verificamos nas paralisações recorrentes da bolsa de valores brasileira, com índices de queda que ultrapassam 10%; impacto grave no setor de serviços: companhias aéreas, hotéis, entretenimento, restaurantes e outros; adiamento de eventos, feiras, simpósios e reuniões presenciais. Em contrapartida, taxas menores de juros, a fim de estimular a economia; valorização do dólar, positiva para o setor exportador; queda do preço do petróleo agravada pelo consumo menor em decorrência do cenário, com consequente diminuição dos custos de produção para a agricultura; e fretes mais baratos.

No ambiente sociocultural temos aumento de consumo no lar por conta do tempo maior de permanência das pessoas em seus domicílios; menos interação coletiva; movimentos de estocagem de alimentos; receio de ir aos pontos de venda; busca por produtos mais confiáveis; e reforço das medidas de higiene, o que aumenta a demanda de produtos do Agro que têm participação na cadeia dos produtos de higiene. Em contrapartida, mais interação familiar; aumento do engajamento, do coletivismo e do aprendizado para lidar com novas eventualidades. Também temos a incorporação de comportamentos a distância, que modificam a estrutura das relações sociais, comerciais, de trabalho, de estudo entre outras.

 

Perspectivas

André Boncompani, diretor executivo da iCrop, aponta que a agricultura sofre menos abalos em relação a outros setores da economia; mas não há dúvidas de que esses abalos existirão. “Trata-se de um setor essencial da cadeia de abastecimento e, por isso, resguardado por políticas governamentais. O processo produtivo envolve menos pessoas e, em sua maioria, acontece em áreas abertas, com menos contato físico; diferentemente da indústria e do varejo, que contam com volumes de pessoas concentradas. De modo geral, as incertezas são muitas e as hipóteses sobre o que ainda está por vir também. A tendência é que as pessoas esperem um pouco para tomar decisões no tocante à movimentação do mercado e aos investimentos estruturais”. 

Leonardo Sologuren, consultor e presidente do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) indica: “a curto prazo, viemos de uma safra recorde, a exemplo da soja e do milho, com preços fabulosos para a exportação devido à valorização do dólar. Mas o valor do dólar também é uma incerteza”. Sologuren, em sua participação como especialista convidado na live Agro Connection, promovida pela iCrop no dia 7 de abril, sugere que, se possível, os produtores travem os preços e negociem os próximos contratos na moeda real (R$), sem descuidar também do valor elevado dos insumos agrícolas importados e do alinhamento com os órgãos públicos para concessão de financiamentos para a próxima safra. Essas medidas, segundo ele, ajudarão os produtores a gerar mais liquidez para seus negócios. 

Raciocínio complementar ao de Sologuren é o do produtor rural e presidente da Associação Nacional dos Produtores de Alho (ANAPA), Rafael Corsino, especialista que também participou da Agro Connection. “É importante que o produtor repense a comercialização e a distribuição de seu produto. Tradicionalmente, os produtores vendem para atacadistas, e estes revendem para varejistas. Numa eventual dificuldade enfrentada por um desses elos, o produtor acaba indo junto. Por isso, precisamos inovar na forma de comercializar, para que todos os elos da cadeia se fortaleçam”, salienta Corsino.

A respeito do suporte do Governo aos produtores, o presidente da República sancionou a Lei 13.986/2020, originada da MP 897/2019, que permite a renegociação de dívidas dos produtores rurais, conhecida como MP do Agro. De acordo com o presidente da comissão mista que analisou a MP e vice-presidente da Frente Parlamentar da Agricultura (FPA), senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), a nova norma dará mais opções para que os produtores rurais consigam crédito. “O texto traz avanços significativos para o setor agropecuário, como a criação do Fundo de Aval Fraterno (FAF), que fixa uma nova modalidade de garantia para o crédito rural. Também traz, entre outras medidas, o patrimônio de afetação, que autoriza o desmembramento de matrículas para assegurar financiamentos, além da emissão das Cédulas do Produto Rural (CPR) em moeda estrangeira”, diz o senador. A informação publicada dia 8 de abril na página Senado Notícias é da Agência Senado

Em sua estreia no Canal Rural, o jornalista Alexandre Garcia comenta que a saída econômica do Brasil para a crise trazida pelo coronavírus é o Agro. “O Agro não para. O tempo, a semente, a brotação, o momento de cuidar da lavoura não param. O Agro é necessário para produzir alimentos e divisas. A gente passou por uma recessão uma vez e a saída foi o Agro, foi a terra. Da terra é que vem a riqueza desse país. Eu vi o período em que a gente falava que o Brasil é um país essencialmente agrícola e considerava isso como algo de subdesenvolvido. ‘Temos que ser um país industrializado’, dizia-se. Tanto que os países desenvolvidos eram chamados pelo sinônimo de países industrializados. Hoje o mundo está descobrindo que o alimento é essencial. Isso é óbvio. Mas demorou um pouco. Os alimentos são essenciais para a manutenção da humanidade… A gente tem que mostrar que o arroz que é posto na mesa é resultado de muito trabalho e muito suor”, enfatiza Garcia.

 

Ações de suporte

Para além da importância eminente do Agro, empresas do setor, como usinas, estão produzindo álcool para abastecer hospitais; portais estão liberando cursos on-line gratuitamente e outras movimentações de empresas que compõem a cadeia produtiva do Agro – assim como empresas de segmentos diferentes – estão acontecendo para amenizar as crises sanitária e econômica geradas pelo novo coronavírus.

Seguindo o ritmo dessas movimentações, a iCrop criou um núcleo de experts focado na excelência do atendimento que oferece ao produtor. Esse núcleo será responsável por acompanhar de perto, através da plataforma iCrop, todas as informações referentes à produção, avaliando a eficácia e sugerindo melhorias no processo de gestão de irrigação a partir de informações precisas.

Dito isso, a iCrop reitera os cuidados individuais e coletivos que devem ser tomados como medidas preventivas e de combate à disseminação da Covid-19. E reforça seu compromisso com o produtor, por meio de ações como a live aberta Agro Connection e os e-books gratuitos elaborados a partir de experiências com resultados comprovados no campo e disponibilizados no site da empresa. Essas ações têm o objetivo de levar ao produtor conteúdos especializados e reflexões sobre como atravessar as exigências impostas pela pandemia. A equipe de escritório continua com os trabalhos em regime home office, enquanto a equipe de campo realiza atendimentos agendados sem contato direto com os responsáveis, conforme recomendações dos órgãos de saúde, priorizando a comunicação e a troca de informações por meios on-line.

Para quem não acompanhou a live no dia 7 de abril, ela está disponível neste link. Acesse também nossa Biblioteca de Conteúdos Especializados.

 

 

 


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