IoT na Agricultura, que prosa é essa?

André Boncompani      sexta-feira, 24 de agosto de 2018

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      Para começarmos o assunto, o primeiro passo é entendermos do que se trata o termo IoT. A sigla vem da palavra em inglês internet of Thinks” que significa Internet das Coisas. Resumidamente, esse conceito aborda as tecnologias embarcadas em "coisas" que possam trazer todo o conhecimento da Internet para si e assim permitir que tais "coisas" tomem determinados tipos de decisões sozinhas, ou nos informem sobre acontecimentos em tempo real, tudo através da famosa "nuvem".

   As grandes corporações mundiais da área de tecnologia, enxergam a IoT como a grande próxima revolução tecnológica, sendo uma evolução da explosão dos Smartphones, e portanto, estão investindo de forma maciça em desenvolvimento de produtos e empresas relacionados a esse tema.

Tecnologias já disponíveis no mercado 

      Aplicações práticas do uso dessa tecnologia já podem ser observadas em estacionamentos inteligentes, no Google Glass, em alguns eletrodomésticos "inteligentes" (como geladeiras que enviam lista de compras aos seus donos),  algumas indústrias e também na agricultura, porém vale ressaltar que pouquíssima coisa tem funcionado em larga escala, em qualquer uma dessas tentativas de aplicação.

      Quando pensamos em IoT na agricultura, os potenciais de uso são infinitos e todas as grandes empresas de tecnologia já perceberam isso. Podemos imaginar fazendas digitais, onde todos os processos fossem monitorados em tempo real, desde o funcionamento das máquinas, sejam elas tratores, pulverizadores ou secadores, até o comportamento das culturas, com sensores no campo medindo e nos mostrando exatamente o que está ocorrendo em cada gleba da fazenda, passando ainda pelo monitoramento climático e até da gestão da equipe da fazenda e estoque.

Dificuldades e barreiras para a evolução do IoT

      Mas porque tanta gente está tentando e investindo em IoT, mas praticamente não vemos nada sendo utilizado de forma efetiva na Agricultura? 

      A resposta é simples: agricultura não é geladeira! Parece óbvio para quem vive na agricultura, porém a grande maioria dos envolvidos em desenvolvimento de tecnologia nunca pisou na terra e isto faz toda a diferença. 

      O que temos visto são empresas de software (programas) ou hardware (equipamentos) "embalando" velhas tecnologias e sensores em uma roupagem nova, chamando isso de IoT e fazendo um marketing gigantesco e enganoso, tentando difundir tecnologias caras e com pouca geração de resultados efetivos aos agricultores, ou seja, estão gerando tecnologias que já nascem mortas (e velhas...).

      Um segundo aspecto responsável pela grande dificuldade de adoção dessa tecnologia no campo, está relacionado à limitação de meios de comunicação encontrados no ambiente rural. Se a tecnologia for dependente de GPRS (sinal de celular) ficará limitada a pouquíssimas áreas com cobertura disponível, se depender de rádio e internet, poderá não ter condições ideais na maioria das áreas e se for baseada em comunicação via satélite, encontrará um empecilho poderoso que é o alto custo.

      Um terceiro dificultador é a necessidade de uma boa amostragem de dados, o que exige um grande volume de sensores para que se tenha uma decisão assertiva, esbarrando dessa forma em custos e uma enorme dificuldade de gestão e instalação de tais sensores. Para entendermos o quão gigante é este problema, se formos instalar sensores de umidade do solo em apenas 10% dos Pivôs Centrais do Brasil, teríamos que fazer a seguinte conta: são aproximadamente 3.000 equipamentos, que normalmente são divididos em duas glebas, ou seja, 6.000 unidades de monitoramento. Para termos uma amostragem com o MÍNIMO de qualidade, precisaríamos de 3 pontos de amostragem por unidade de monitoramento, ou seja, 18.000 sensores. Para piorar um pouco mais, temos que considerar que na agricultura irrigada são feitas 2,5 safras por ano, ou seja, seriam necessárias 45.000 operações de instalação e desinstalação por ano... Ufa!

      Por fim, mesmo que resolvida a questão destas 45.000 operações em 18.000 sensores, teríamos que resolver a questão do custo destes equipamentos, já que os disponíveis atualmente estão muito, mas muito longe, de terem alguma viabilidade econômica. 

Desafios e oportunidades

      O fato é que se trata de um grande desafio, porém olhando as aplicações presentes nos celulares que estão em nossos bolsos,  sabemos que a tecnologia para atender todos esses requisitos, está disponível e precisa apenas ser direcionada da forma correta e em uma escala que atenda a necessidade de baixo custo imposta pela agricultura.

      O grande ponto é que, independentemente de resolvermos todas as questões acima, a IoT ainda sim será apenas mais uma ferramenta para auxiliar na tomada de decisão do Agricultor e isto não é muito claro para os players envolvidos no desenvolvimento de tecnologia. Como disse, eles estão olhando o IoT como solução final para todos os problemas, tentando aplicar a mesma solução criada para uma geladeira na agricultura. 

      Neste ponto está sendo desconsiderada a grande complexidade do sistema produtivo, onde as decisões são quase sempre urgentes, levam em conta intempéries, mercado, áreas grandes, inúmeras interações climáticas e fitossanitárias, além do próprio perfil do agricultor. Com isso, se vende um milagre que definitivamente está muito longe de ocorrer.

A evolução da iCrop de forma sólida 

      Como desenvolvedores de tecnologia para o campo e comprometidos com sua aplicação prática, a iCrop vem há algum tempo investindo em tecnologias de IoT, sempre focada em vencer os grandes desafios expostos acima e como linha geral, percebemos que todos são possíveis de serem superados e através de parcerias nacionais e internacionais, conseguimos evoluir de forma sólida no sentido de uma solução que realmente seja útil ao agricultor. Nossa visão é que toda tecnologia é apenas ferramenta para uma análise humana especializada, que realmente insira inteligência nos processos decisórios e que possam gerar RESULTADOS, ou seja, não acreditamos que a tecnologia seja o fim e sim o meio.

André Boncompani

Diretor Executivo 

iCrop - Irrigação de Alta Perfomance 

 

Veja também: Aplicativo com funções off line e realidade aumentada é sucesso entre agricultores

 
 

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